Visita à Ama

“Há gente que nos assalta. E livremente deixamos que nos roubem. São os chamados ladrões de corações. Mas são dos bons! Em troca, também nos dão um coração com um sabor parecido com o nosso: o deles.”
Obrigada por mais uma tarde de troca de carinhos e memórias! Porque sabe sempre tão bem, chego a casa sempre de coração cheio. Tãão booom :’)
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A portuguesa saudade

“A saudade é dos portugueses. Palavra de presença constante na poesia de língua portuguesa, no fado, no coração de todo e qualquer português apaixonado ou perdido por esse mundo fora. Saudade. O vazio provocado pela ausência do que traz boas recordações. Sobretudo pessoas que partiram sem regresso, longe mas tão perto, algures perdidas por aí.

Acaba por ser bom sentir saudades. Sinal de que existem boas recordações, graciosidade de momentos encarados nas voltas da montanha russa, de braços bem no ar, festejados em todos os segundos de felicidade. No regresso, no reencontro, nada melhor do que ouvir, e sentir, o “tive saudades tuas”. O vazio da saudade não tem substituição. Pode ser ocupado, preenchido, sem nunca ser substituído por outro qualquer momento, pessoa ou sentimento semelhante. Existe uma saudade. Aquela saudade. A que sai do peito e invade todo o corpo. Que deixa um nó na garganta, uma vontade impotente a crescer.

A saudade começou na aventura marítima dos Descobrimentos portugueses, na partida do sítio a que se chama casa, em todos os pequenos objectos e pensamentos que fazem viajar no tempo. Prolongou-se na escrita dos poetas de amores desavindos, entranhou-se na voz do triste fado lusitano. Existe mesmo sem ser possível encará-la olhos nos olhos. E é portuguesa porque mais ninguém a vive, sente, explica e transmite como o povo do “pedacinho de terra à beira mar plantado”.

Só existem saudades dos bons momentos e de conhecer as pessoas certas nos lugares caminhados. A saudade é vontade de repetir, o querer ter e não poder, o desejar sem concretizar. A saudade consome mas não mata, faz lutar mesmo que a tristeza permaneça. É um querer voltar sem remédio.

Nada melhor do que aproveitar os pulos do coração, as corridas da respiração, o transcendente que nasce de cada passagem. Que se acredite no impossível, no sonho por realizar, na aventura louca e infantil, na experiência por conquistar dos beijos que ainda se aprende a dar. Um a um, trocados e saboreados lentamente, com a calma do sol que se põe no horizonte. Tudo o resto é saudade. Que se mata, morre e renasce.”

S-A-U-D-A-D-E

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“Eu juro que tentei. Tentei esquecer-te de todas as formas possíveis e imaginárias, mas em tudo o que faço encontro algo teu ou que tenha a ver contigo. Às vezes dou por mim a olhar para o nada e a pensar em tudo. Aí, lembro-me de quando nos encontrávamos e, desde o fundo da rua, vinhas de braços abertos à espera de um abraço apertado. Eram os abraços que acalmavam o meu dia e me deixavam em paz comigo mesma. Lembro-me de quando olhava de longe para ti e após olhares também para mim, desviava o olhar com vergonha do que pudesses pensar. Eu tentei deixar estas memórias de lado. Mas não consigo. Elas voltam sempre e cada vez com maior intensidade sobre a minha memória. Quanto mais esforço faço para esquecer, mais tendência tenho a lembrar-me. Lembro-me também da última vez juntos. Eu sentia-te distante e triste. Diferente. Naquele dia o abraço foi mais forte do que o comum. Os meus olhos encheram-se de lágrimas mas fiz força para as conter. Não queria que reparasses. Afinal, não precisavas de saber da minha dor. Mas aquele abraço disse tudo. A nossa relação parecia algo “forçado”, e eu perguntava-me a mim mesma como tínhamos chegado àquele ponto. Estava certa, tinha mesmo chegado ao fim. Pergunto-me porquê. Mas até hoje, não consegui resposta. Um dia vou saber. Até lá, vou continuar: A cada dia que passa, a minha força para tentar esquecer é maior. Mas a memória insiste em relembrar.”

NEOQEAV

“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.”

Não podia dar início ao meu blog sem Caio Fernando Abreu. Adoro. Inspira-me.