Doença sem causa identificada?

Quando a boca cala, o corpo fala.

O corpo e a mente estão totalmente conectados. O desequilíbrio entre a nossa mente e o nosso corpo manifesta-se na forma de doença física. O maior desafio para se diagnosticar uma doença psicossomática é o facto de que a pessoa não possui consciência de que a sua doença está a ser causada pelos seus próprios sentimentos. A doença psicossomática nada mais é que a somatização no corpo dos desequilíbrios emocionais e mentais de um indivíduo.

A utente apresentava crises de choro, relatava estar a sentir dores muito intensas por todo o corpo, bem como cefaleias e alguns episódios de insónia. As queixas ligadas ao corpo não eram enlaçadas com algum acontecimento específico, ou seja, parecia não existir sentido e relação com a sua vida. Percebeu-se também a dificuldade em falar sobre essas queixas, a sensação é que “não haviam palavras”. As dores já ocorriam há alguns meses e a utente questiona-se sobre o seu aparecimento apenas através de exames e consultas médicas. Dessa forma, realizou muitos exames para descartar patologias físicas e nada foi conclusivo. Através dos seus relatos fica evidente de que o seu corpo responde muito aos seus estados emocionais, mas essa relação não se apresenta direta.

Todos somos capazes de somatizar as nossas dores mentais nos momentos em que as nossas defesas habituais falham diante do sofrimento psíquico. Entendendo isso, é importante reconhecer os nossos sentimentos e emoções e procurar expressá-los da melhor maneira possível, com vista a uma melhoria na condição de saúde de um modo geral. Muitas das doenças psicossomáticas da atualidade revelam-nos as necessidades não satisfeitas da população: escuta, empatia, amor.

Quando a boca fala, o corpo sara.

“Olha bem. O caminho não é fácil, é verdade, mas às vezes nós acrescentamos-lhe dificuldades que ele não tem. Às vezes, os obstáculos não estão no caminho, mas no caminhante. Olha bem. Vê se as pedras que te atrapalham estão à tua frente ou dentro de ti. Não dês guarida aos medos. Vê se há realmente buracos na estrada ou se é a falta de confiança que te faz tropeçar. Vê se realmente tens à frente alguma parede a vedar-te o caminho ou se és tu muro de ti mesmo. Não atravanques o caminho com coisas que o caminho não tem. Olha bem.”

“Cada um carrega a sua cruz. Sim. O extraordinário é haver quem, carregando a sua cruz, consiga ajudar os outros a fazê-lo. O extraordinário é haver quem, com as pernas cansadas, consiga aliviar o caminho dos outros. O extraordinário é haver quem, com as mãos em ferida, consiga suavizar as feridas dos outros. O extraordinário é ver que as pessoas que carregam as cruzes mais pesadas são aquelas com os corações mais leves. Corações tão grandes que neles cabem as palavras de alento e os gestos de incentivo que oferecem a quem precisa. Às vezes penso que o peso da cruz é proporcional ao tamanho do coração. Quanto mais pesada, maior. Abençoados corações.”

Não te sintas inferior a um outro alguém. Nem deixes que te abalem na tua auto-estima. Por mais que te intimide a crítica alheia a características só tuas. Lembra-te: haverá sempre quem não tenha capacidade para apreciar o teu real valor, tal como não faltará quem tenha o dom de saborear a tua forma singular de estar na vida. Quem nunca sentiu assim que sinta de outra forma, mas seja feliz. E se não te apreciam em dado momento, que vão ser felizes com quem lhes desperta o sentimento. Agarra-te a quem te valoriza. E, lembra-te, à inteligência pertence saberem te olhar e estimar.

Amor

Sempre escolhi as palavras de outras pessoas quando “escrevia” sobre amor. Por ser difícil de o definir e por não saber falar dele.

Continuo sem saber.

Espero que a necessidade e o desejo de regressar aos braços um do outro continue, todos os dias. Regeneras-me.

Máscaras

Penso no significado deste espaçamento que somos chamados agora a manter nas relações uns com os outros, assim como no uso de máscara. Penso principalmente na ressonância emocional desse facto em nós, o que ele desencadeia e desencadeará se a situação perdurar. Porque se em vez de darmos um passo em frente para chegar ao outro, como nos é natural, aceitamos uma retração, um espaçamento dilatado. Porque se em vez de fazermos uma leitura dos lábios e observarmos as expressões faciais, aceitamos aquilo que ouvimos e que por vezes entendemos de forma errada. Isto altera alguma coisa fora e dentro de nós.

Como em todas as coisas podemos ver, também aqui, uma oportunidade para refletir sobre o modo como vivíamos a proximidade e a distância e para revermos criticamente os nossos automatismos. Não basta aproximar-se para se ser efetivamente próximo. E da mesma maneira, quando estamos distantes nem sempre quer dizer que estejamos desligados. A distância e a proximidade precisam, por isso, de ser esclarecidas e purificadas.

Em tempo de uso de máscaras, o foco mudou. O holofote das imagens passou para os nossos olhos, aqueles que abrem a porta para o nosso interior… Portas da alma. Sendo assim, este pode ser um tempo propício para exercitarmos os nossos gestos e emoções por meio do olhar. A energia que emanamos é aquela que receberemos de volta. Portanto, nada melhor do que demostrar no olhar a positividade. É tempo de aprender a sorrir com os olhos.

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“Queria que estivesses aqui,
no meio disto tudo o que eu queria era que estivesses aqui,
o teu olhar, as tuas mãos a apertarem-me o medo, a dissolverem-me a ansiedade.
Mãos que apertam o medo, que dissolvem a ansiedade: aqui está uma boa definição de amor.”

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“Gosto de quem diz “bom dia”, “boa noite”, “desculpa”, “tenho saudades” e “gosto e ti”. De quem diz “hoje não, mas amanhã sim” e de quem não promete fazer, mas promete tentar. De quem me faz rir e me chama nomes parvos. De quem me ouve e atura. Gosto de quem é companheiro, leal, amigo, verdadeiro e birrento. Gosto de quem é real e de quem torna fácil ser eu.
Gosto de ouvir quem me ouve. De apoiar quem me apoia. De abraçar quem me abraça. De segurar quem não me larga. De ficar onde me querem.
Gosto.
Muito.”