A memória olfativa

O nosso cérebro armazena inúmeras lembranças. Quando ativado por um estímulo externo, como o cheiro, no sistema límbico – parte do cérebro onde se concentram as memórias e onde surgem as emoções – é desencadeada uma reação neurológica, associando o odor a acontecimentos importantes da nossa vida.

Quando sentimos um cheiro, de imediato as amígdalas relacionam aquele odor à ação que está a acontecer ou a como nos sentimos naquele momento. O cheiro é, então, guardado na memória acompanhado da emoção/sentimento que estamos a viver. Quando voltamos a senti-lo, a memória afetiva é ativada, e a conexão entre o cheiro e a emoção correspondente torna-se percetível.

“Cheiras bem” disse.

“Cheiro a quê?

”Sem tirar o nariz, respondi “Cheiras a ti”.

Gosto do cheiro que me traz a calma. Gosto do cheiro que me mostra a vida. Gosto do cheiro onde me sinto num lugar seguro e de amor. Cheiro de quem nos quer bem.

A importância de saber parar

Vivemos numa sociedade que nos empurra a ser rápidos, eficientes, onde há sempre muito para fazer e onde não se pode “perder tempo”. Acordamos, olhamos as notificações no telemóvel e, em modo automático, damos início a uma série de atividades quase obrigatórias. Tomar o pequeno-almoço, preparar as refeições para o dia, estender a roupa, levar o cão a passear, levar os filhos à escola, trabalhar. E a lista não pára. Quase todas as tarefas acabam por nos levar imediatamente para a seguinte na nossa mente, que mal consegue se concentrar no agora – somos uma sucessão de afazeres e, até encostarmos a cabeça na almofada, cumprimos item a item. Aqui está o erro. Querendo aproveitar o tempo ao máximo, perdemos facilmente a nossa energia pessoal, e algo muito mais importante, o propósito de vida.

Saber parar nada tem a ver com ter um, dois ou três dias de folga do trabalho, se nesses dias ficas de volta de todas as rotinas e tarefas que te absorvem. Saber parar está relacionado com “tempos de nada”, indutores da sensação de bem-estar e da criatividade. O importante é acalmar a mente, o que permite romper com os padrões de raciocínio anteriores e com as emoções negativas associadas, promovendo uma reorganização mental essencial para aumentar a criatividade e a capacidade para resolver problemas e tomar decisões, incrementando a qualidade do trabalho e a auto-confiança. Ou seja, ao ativar no cérebro um estado mais passivo e relaxado, são neutralizados os efeitos negativos das hormonas do stress e produzidos neurotransmissores como endorfinas e dopaminas que acentuam a sensação geral de bem-estar.

Tempos de nada é um tempo para ti. É um tempo para ti e para fazeres o que gostas. É nos tempos de nada que tens oportunidade para te desligares do exterior e do modo automático em que vives grande parte do tempo, para te conectares contigo, sentimentos, desejos, aspirações e não te perderes de ti próprio na correria do dia a dia. É neste parar que a mente e o corpo reencontram a tranquilidade e o relaxamento que necessitam para a manutenção da saúde física e mental.

Parar é ganhar tempo.