Máscaras

Penso no significado deste espaçamento que somos chamados agora a manter nas relações uns com os outros, assim como no uso de máscara. Penso principalmente na ressonância emocional desse facto em nós, o que ele desencadeia e desencadeará se a situação perdurar. Porque se em vez de darmos um passo em frente para chegar ao outro, como nos é natural, aceitamos uma retração, um espaçamento dilatado. Porque se em vez de fazermos uma leitura dos lábios e observarmos as expressões faciais, aceitamos aquilo que ouvimos e que por vezes entendemos de forma errada. Isto altera alguma coisa fora e dentro de nós.

Como em todas as coisas podemos ver, também aqui, uma oportunidade para refletir sobre o modo como vivíamos a proximidade e a distância e para revermos criticamente os nossos automatismos. Não basta aproximar-se para se ser efetivamente próximo. E da mesma maneira, quando estamos distantes nem sempre quer dizer que estejamos desligados. A distância e a proximidade precisam, por isso, de ser esclarecidas e purificadas.

Em tempo de uso de máscaras, o foco mudou. O holofote das imagens passou para os nossos olhos, aqueles que abrem a porta para o nosso interior… Portas da alma. Sendo assim, este pode ser um tempo propício para exercitarmos os nossos gestos e emoções por meio do olhar. A energia que emanamos é aquela que receberemos de volta. Portanto, nada melhor do que demostrar no olhar a positividade. É tempo de aprender a sorrir com os olhos.

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