“Certa tarde, voltou para casa mais cedo do que o costume, e encontrou a viúva sentada na soleira da porta.
– O que está a fazer?
– Nada tenho que fazer –respondeu ela
– Então aprenda algo. Neste momento, muitas pessoas já desistiram de viver. Não se aborrecem, não choram, esperam apenas que o tempo passe. Não aceitaram os desafios da vida, e a vida já não as desafia mais. A senhora também corre esse perigo; reaja, enfrenta a vida, mas não desista.
– A minha vida voltou a ter um sentido – disse ela, olhando para baixo – desde que o senhor chegou.
Elias resolveu interromper imediatamente a conversa, porque não sabia como continuá-la.
– Comece a fazer alguma coisa – disse, mudando de assunto. – Assim o tempo será um aliado, e não um inimigo.
– O que posso aprender?
Elias pensou um pouco.
– A escrita de Biblos. Será útil, se tiver que viajar um dia.
A mulher resolveu dedicar-se àquele estudo de corpo e alma. Jamais pensara em sair de Akbar mas – pelo modo como ele falara – talvez estivesse a pensar levá-la com ele.
Sentiu-se livre novamente. Novamente, acordou de madrugada, e caminhou sorrindo pelas ruas da cidade.”

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