Finais felizes

“Jurei a mim mesmo, a pés juntos
– Aqui acabou o nosso amor. – e assim sendo, enterrei-a no fundo da despensa, junto do pó e das coisas que não têm valor. O mundo continuou a parecer-me certo. Na rua tudo continuava como dantes: pessoas, carros, árvores, calçada, mais pessoas, mais calçada, um gato vadio e todas as outras constantes que fazem parte de todas as ruas. Olhei o mar da janela – sim, conseguia ver o mar da minha janela. Respirei fundo: uma vez. Respirei fundo: novamente. Tudo estava certo no mundo. O meu coração batia em harmonia com as horas do relógio. Harmonia. Que saudades dessa sensação de tudo estar no seu devido lugar. Um dia julguei que, sem ela, o mundo deixaria de ser mundo. Felizmente estava errado.
(…)
E realmente é verdade: a vida continua. Connosco: comigo, com ele, com ela, com todas as outras pessoas. Continua: com ou sem nós. Podemos continuar com a vida: todos, ou cada um por si. Não há como fugir a isto. A minha vida continua sem ela. Continua.”

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s