Isto não é uma carta de amor

“Não te escrevo uma carta de amor porque as cartas de amor estão sobrevalorizadas. Escrevo-te um texto. Deixo-te o meu coração nesse texto. Deixo-te aquilo que tenho e não invento o que não tenho. Escrever, para mim, é um acto sagrado. É uma espécie de confissão – e as confissões devem ser sinceras. Deixo-me em cada palavra e espero que me encontres nessas mesmas palavras. Procura-me.
É estranho como os meus pensamentos teimam em girar na tua órbita. Não é estranho. Na verdade não é, nem um pouco, estranho. Gosto verdadeiramente de ti, e é por isso que te procuro quando não estás. Encontro-te e guardo-te, porque a minha memória fotográfica me permite que assim seja. Ficas comigo, mas imaginar-te não chega. Talvez por isso te escreva este texto – este pequeno texto. Porque necessito de te recordar que imaginar-te não me chega. Porque necessito de te recordar que espero ansiosamente o toque de veludo dos teus lábios, o calor do teu corpo, a textura da tua pele. Espero por ti. Se puderes, não demores. Se demorares, lembra-te de mim.
 
Até já.
Mesmo que demores,
Até já.”

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